Portos do Paraná amplia projeto pioneiro de saneamento ecológico para mais ilhas do litoral 25/02/2026 - 09:36

Após sucesso na Ilha de Eufrasina o Projeto Comunidades Sustentáveis em parceria com a UFPR avança para outras comunidades

O projeto Comunidades Sustentáveis, criado pela Portos do Paraná em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluiu a instalação de sistemas de saneamento ecológico na Ilha de Eufrasina, na baía de Paranaguá. A iniciativa atende as 66 famílias que vivem na comunidade, beneficiando mais de 200 moradores.

Em fevereiro, representantes das instituições responsáveis visitaram a ilha para acompanhar os resultados da implantação.

A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as residências não contavam com sistema de coleta e tratamento de esgoto. O solo rochoso inviabiliza a implantação de redes convencionais, como as existentes em centros urbanos, ou ainda a instalação de fossas sépticas, comuns em áreas rurais.

Realidade antes do projeto

O professor da UFPR Fernando Augusto Silveira Armani, coordenador do projeto, relembra a situação encontrada pela equipe no início dos trabalhos. Segundo ele, os dejetos eram direcionados ao mar por meio de tubulações expostas. “Toda a tubulação foi reorganizada e agora o esgoto passa por tratamento adequado. Em alguns casos, os sistemas foram integrados a jardins com flores, que além de funcionais, embelezam a comunidade”, destacou.

Tecnologia sustentável adaptada

O projeto utiliza jardins filtrantes — técnica conhecida como wetlands ou zonas úmidas construídas — que promovem o tratamento natural do esgoto. Também foram instalados biodigestores artesanais, nos quais microrganismos realizam a decomposição da matéria orgânica, além de biodigestores comerciais e vermifiltros, produzidos com bombonas plásticas e minhocas.

“Os vermifiltros são geralmente utilizados nas casas localizadas à beira da água”, explicou a bióloga e analista portuária Jaqueline Dittrich.

A residência da turismóloga Francislaine Viana, construída à beira-mar, está entre as beneficiadas. “Com o sistema rudimentar que tínhamos antes, enfrentávamos constrangimentos, principalmente por causa do mau cheiro. Hoje ficamos muito felizes e orgulhosos de contar com essa estrutura”, afirmou.

Para o morador Marcos Roberto Cassiano, o impacto também é econômico. “O benefício é a água mais limpa, que favorece a pesca e aumenta a presença de peixes na baía”, destacou.

O pescador e artesão Paulo Soares de Lara ressalta a mudança perceptível. “Antes, a água saía suja direto para o mar, e o cheiro era insuportável. Agora, sai limpa”, disse.

Além das residências, o projeto implantou sistemas de tratamento de esgoto em duas escolas, na associação de moradores e na igreja da comunidade.

Água limpa e saúde

Antes do início do projeto, em 2023, a qualidade da água era classificada como “ruim”. Medições realizadas em novembro de 2025 registraram condição “boa”, indicando adequada balneabilidade, redução do risco de doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, além de melhores condições para a pesca. Os dados são obtidos por meio do Índice de Qualidade de Água Costeira (IQAC).

“É muito gratificante saber que as crianças podem usufruir da água sem problemas dermatológicos ou de saúde. Contribuir com o meio onde vivemos é essencial”, afirmou a representante da Associação de Moradores da Ilha de Eufrasina, Rosene Aparecida Passos.

Capacitação e o protagonismo da comunidade

Para garantir o funcionamento adequado dos sistemas, os moradores participaram de 12 oficinas voltadas à manutenção das estruturas e ao uso consciente de produtos de limpeza. Substâncias como água sanitária podem comprometer a ação dos microrganismos responsáveis pelo tratamento do esgoto.

Durante os encontros, também foram ensinadas técnicas para produção de materiais de limpeza biodegradáveis.

Expansão para mais ilhas

Com os resultados positivos, o projeto será ampliado para outras comunidades do litoral paranaense. “Mantemos o convênio com a Universidade justamente para expandir a iniciativa. Já iniciamos a implantação na Ponta Oeste, na Ilha do Mel, onde há cultivo de ostras”, informou Jaqueline Dittrich.

Também serão contempladas as ilhas de Piaçaguera, Ponta de Ubá e Europinha.

Desafio nacional do saneamento
Segundo a 17ª edição do Ranking do Saneamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a GO Associados, 44,8% dos brasileiros ainda não possuem coleta de esgoto.

De acordo com o levantamento, o Paraná é o segundo estado com maior número de cidades entre as 20 melhores em tratamento de água e esgoto no país. Estão no ranking Curitiba (18º), Foz do Iguaçu (10º), Londrina (19º), Maringá (14º) e Ponta Grossa (13º).

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